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SAC ou Tabela Price: qual o melhor sistema de amortização para o seu financiamento imobiliário

Entenda como funcionam SAC e Price, qual paga menos juros no total, o impacto da TR e do IPCA e como escolher o sistema certo para o seu perfil

SAC ou Tabela Price

No Brasil, quando o assunto é empréstimo ou — principalmente — financiamento imobiliário, as instituições financeiras costumam oferecer duas opções de sistema de amortização: a Tabela Price e o SAC. A escolha entre uma e outra pode representar uma diferença de dezenas de milhares de reais ao longo do contrato, além de impactar diretamente o valor das suas parcelas no curto prazo.

Para entender qual a melhor opção dentro do seu momento financeiro e dos seus objetivos, primeiro é preciso entender como cada modalidade funciona e quais são as suas diferenças na prática.

O que é amortização?

Antes de entrar nas diferenças entre os dois sistemas, é importante compreender um conceito-base: a amortização. Trata-se da redução progressiva do saldo devedor por meio de pagamentos periódicos, seja pelo pagamento das parcelas dentro do prazo do contrato ou pela antecipação de parcelas.

Toda parcela de um financiamento é composta basicamente por dois elementos:

  • Amortização: é o valor que efetivamente reduz a sua dívida (o principal).
  • Juros: são o custo cobrado pelo banco sobre o saldo devedor restante.

A diferença entre SAC e Price está exatamente em como esses dois elementos se comportam ao longo do tempo.

Como funciona o SAC — Sistema de Amortização Constante

No SAC, como o próprio nome indica, a amortização acontece de forma constante do início ao fim do contrato. Isso significa que você sempre abate o mesmo valor do principal a cada mês. Como os juros incidem sobre um saldo devedor que diminui de forma mais acelerada, as parcelas começam mais altas e vão reduzindo progressivamente ao longo do tempo.

Para ilustrar: em um financiamento de R$ 1 milhão por 30 anos com taxa de 7% ao ano, a amortização no SAC começa em R$ 2.777 já na primeira parcela. Ou seja, sua dívida cai de forma expressiva desde o início do contrato.

Como funciona a Tabela Price — Sistema Francês de Amortização

Na Tabela Price, também conhecida como Sistema Francês de Amortização, o que se mantém constante é o valor da prestação. A amortização cresce com o tempo à medida que o saldo devedor diminui e, consequentemente, os juros caem.

A prestação fixa é calculada para que o saldo chegue a zero exatamente na última parcela. Para isso, o saldo diminui de forma muito mais lenta nos primeiros anos — como os juros incidem sobre um saldo maior por mais tempo, o custo total do financiamento tende a ser mais elevado do que no SAC.

No mesmo exemplo citado acima, a amortização na Tabela Price começa em apenas R$ 819 — muito abaixo dos R$ 2.777 do SAC. Isso significa que, nos primeiros anos do contrato, a maior parte do que você paga é composta por juros, e não pela redução real da sua dívida.

SAC x Price: qual custa mais no total?

Esse é um dos pontos centrais na hora de tomar essa decisão. Em um financiamento de R$ 300.000 com taxa de 10% ao ano em 180 meses:

  • SAC: total pago de aproximadamente R$ 516.000.
  • Tabela Price: total pago de aproximadamente R$ 580.600.
  • Diferença: cerca de R$ 64.000 ao final do contrato.

No entanto, esse valor absoluto não deve ser o único fator considerado na sua escolha. O fluxo de caixa nos primeiros anos, a previsibilidade do orçamento e os planos para o imóvel também pesam — e muito — na decisão.

Simule os dois cenários antes de assinar

Em vez de confiar apenas em estimativas, vale rodar os números com os seus próprios dados: valor financiado, prazo, taxa de juros oferecida pelo banco e eventual carência. Você pode comparar SAC e Price lado a lado, ver a evolução do saldo devedor e a tabela de amortização mês a mês usando o Simulador de Empréstimo SAC e Price.

A ferramenta mostra parcela inicial, parcela final, juros totais e o impacto de cada sistema sobre o seu bolso — informação essencial para negociar com o banco e decidir com base em números, não em achismos.

Qual sistema escolher?

A resposta depende diretamente do seu momento financeiro e dos seus objetivos.

O SAC é mais indicado para quem:

  • Consegue arcar com parcelas iniciais mais altas;
  • Tem estabilidade de renda;
  • Planeja fazer amortizações antecipadas para quitar o financiamento antes do prazo;
  • Quer pagar menos juros no total ao longo do contrato.

A Tabela Price faz mais sentido para quem:

  • Tem renda inicial mais limitada e precisa de parcelas menores no começo;
  • Valoriza a previsibilidade no orçamento mensal com um valor fixo durante todo o período;
  • Pretende quitar ou vender o imóvel em poucos anos, reduzindo o impacto do custo total mais elevado.

Um fator que poucos consideram: a correção monetária

Independentemente do sistema escolhido, o saldo devedor do seu financiamento é corrigido mensalmente por um indexador. A maioria dos financiamentos no Brasil utiliza a Taxa Referencial (TR), mas existem opções atreladas à inflação pelo IPCA.

Esse indexador corrige o saldo devedor mensalmente, o que significa que, além dos juros, o valor total da sua dívida pode subir ou descer conforme o comportamento da economia brasileira.

A TR serve como correção monetária sobre o saldo devedor e tem reajuste mensal. Em março de 2025, por exemplo, ela estava em 0,07% — o que em um financiamento de R$ 300.000 representou R$ 210 adicionados ao saldo devedor apenas por conta da correção, fora os juros.

Já nos contratos atrelados ao IPCA, o risco é maior: em períodos de inflação elevada, o saldo devedor pode crescer de forma mais expressiva, tornando as parcelas imprevisíveis. Esse ponto reforça a importância de analisar não apenas o sistema de amortização, mas também o indexador do contrato antes de assinar qualquer financiamento.

Conclusão

Não existe uma resposta universal sobre qual sistema é melhor. O que existe é o sistema mais adequado para o seu perfil e para o seu momento.

Antes de assinar qualquer contrato:

  • Simule as duas modalidades — você pode comparar SAC e Price lado a lado no Simulador de Empréstimo SAC e Price;
  • Compare o CET (Custo Efetivo Total), que inclui todas as taxas envolvidas — não só os juros nominais;
  • Analise sua capacidade financeira tanto no curto quanto no longo prazo.

Essa escolha pode representar uma economia de dezenas de milhares de reais ao longo do seu financiamento — e o tempo investido em simular os cenários se paga com folga já nos primeiros meses do contrato.

Aviso Importante. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui análise financeira individualizada.

As simulações apresentadas usam valores ilustrativos e taxas de mercado. Para decisões de financiamento, considere as condições efetivamente oferecidas pelo banco, o CET completo, o indexador do contrato e, se necessário, busque orientação de um consultor financeiro independente.

Fontes consultadas e base técnica: Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI); metodologia da Tabela Price (Sistema Francês de Amortização) e do SAC (Sistema de Amortização Constante); Taxa Referencial (TR) divulgada pelo Banco Central do Brasil; IPCA divulgado pelo IBGE; conceito de Custo Efetivo Total (CET) regulamentado pela Resolução CMN nº 3.517/2007.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre SAC e Tabela Price?
No SAC (Sistema de Amortização Constante), o valor amortizado do principal é o mesmo em todas as parcelas — por isso as prestações começam mais altas e vão diminuindo ao longo do tempo, conforme os juros caem sobre um saldo devedor menor. Na Tabela Price (Sistema Francês), o valor da parcela é fixo do início ao fim; o que muda internamente é a proporção: nos primeiros anos a parcela é majoritariamente juros e pouca amortização, e essa proporção vai se invertendo. Como o saldo cai mais devagar no Price, o total de juros pagos costuma ser maior do que no SAC.
Qual sistema paga menos juros no total: SAC ou Price?
Na grande maioria dos casos, o SAC paga menos juros no total. Em um financiamento de R$ 300.000 com taxa de 10% ao ano em 180 meses, por exemplo, o SAC totaliza cerca de R$ 516.000 pagos contra aproximadamente R$ 580.600 da Tabela Price — uma diferença de cerca de R$ 64.000 ao final do contrato. Isso acontece porque, no SAC, o saldo devedor cai mais rápido, então os juros (que incidem sobre esse saldo) também são menores ao longo do tempo.
SAC ou Price: qual escolher?
Depende do seu momento financeiro e dos seus objetivos. O SAC é mais indicado para quem tem renda estável, consegue arcar com parcelas iniciais mais altas, pretende fazer amortizações antecipadas e quer pagar menos juros no total. A Tabela Price faz mais sentido para quem precisa de parcelas menores no começo, valoriza a previsibilidade de um valor fixo durante todo o contrato ou pretende quitar/vender o imóvel em poucos anos, reduzindo o peso do custo total mais elevado. O ideal é simular os dois cenários com os números do seu caso antes de decidir.
Como simular SAC e Price gratuitamente?
Você pode usar o Simulador de Empréstimo SAC e Price (/calculadoras/simulador-emprestimo-sac-price), que compara os dois sistemas lado a lado com seus próprios dados: valor financiado, prazo, taxa de juros (ao mês ou ao ano) e carência opcional. A ferramenta mostra a parcela inicial e final, o total de juros pagos em cada sistema e a tabela de amortização completa mês a mês — o que ajuda a entender exatamente quanto da sua parcela está indo para abater a dívida e quanto está sendo absorvido pelos juros.
O que é amortização?
Amortização é a redução progressiva do saldo devedor de um financiamento por meio de pagamentos periódicos — seja pelas parcelas mensais regulares, seja pela antecipação de parcelas. Toda parcela de um financiamento é composta por dois elementos: a amortização, que efetivamente reduz a sua dívida (o principal), e os juros, que são o custo cobrado pelo banco sobre o saldo devedor restante. A diferença entre SAC e Price está justamente em como esses dois elementos se comportam ao longo do tempo.
Como a TR afeta o financiamento imobiliário?
A TR (Taxa Referencial) é o indexador mais usado nos financiamentos imobiliários no Brasil. Ela corrige o saldo devedor mensalmente, ou seja: além dos juros do contrato, o seu saldo pode subir conforme a variação da TR. Em março de 2025, por exemplo, a TR estava em 0,07% — em um financiamento de R$ 300.000, isso representou cerca de R$ 210 adicionados ao saldo devedor apenas pela correção monetária, fora os juros. Em períodos de TR próxima de zero o impacto é pequeno, mas em ciclos de alta da Selic ela pode ganhar relevância.
Vale a pena fazer financiamento corrigido pelo IPCA?
O financiamento atrelado ao IPCA costuma oferecer taxas de juros nominais menores do que as corrigidas pela TR, mas embute um risco maior: o saldo devedor é corrigido pela inflação mensal medida pelo IBGE. Em períodos de inflação elevada, isso pode aumentar significativamente tanto o saldo quanto o valor das parcelas, tornando o orçamento imprevisível. É uma opção que faz mais sentido em cenários de inflação controlada e para perfis com renda flexível, capazes de absorver reajustes maiores. Para a maioria dos compradores, a TR ainda oferece previsibilidade maior.
O que é o CET (Custo Efetivo Total) e por que ele importa?
O CET (Custo Efetivo Total) é a soma de todos os custos envolvidos no financiamento, expressa em percentual ao ano: juros, tarifas, seguros obrigatórios (MIP e DFI), impostos e demais encargos. Ele é o número que realmente permite comparar propostas entre bancos diferentes — duas instituições podem oferecer a mesma taxa de juros nominal, mas terem CETs bem diferentes por causa de tarifas e seguros. Sempre exija o CET por escrito antes de assinar qualquer contrato e use-o como critério principal de comparação, junto da simulação SAC vs. Price.
Vale a pena amortizar parcelas antecipadamente?
Sim, na grande maioria dos casos vale — especialmente no início do contrato, quando a maior parte da parcela ainda é composta por juros. A amortização antecipada reduz o saldo devedor e, consequentemente, derruba os juros futuros que incidiriam sobre ele. Você pode escolher reduzir o prazo do financiamento (paga menos juros no total) ou reduzir o valor da parcela (alivia o orçamento mensal). No SAC, a antecipação tende a ser ainda mais vantajosa em valor absoluto, porque o saldo já vinha caindo de forma acelerada. Simule o impacto antes de decidir.