Juros Simples × Compostos Calculadora comparativa
Compare os dois regimes de capitalização lado a lado. Veja a diferença em montante final, juros totais e a evolução gráfica ao longo do tempo — a chamada "mágica dos juros compostos" mostrada em números.
Juros simples e compostos: o que muda na prática
É comum chamar juros compostos de "juros sobre juros" — e, embora a frase seja informal, ela captura a essência do regime. Em juros simples, o tempo só multiplica a taxa pela quantidade de períodos. Em juros compostos, o tempo capitaliza: o ganho de cada período passa a render no período seguinte, e a curva do montante deixa de ser uma reta e vira uma exponencial.
1. As fórmulas em uma frase cada
- Juros simples: M = C × (1 + i × n). A taxa incide sempre sobre o capital original C. O crescimento é linear.
- Juros compostos: M = C × (1 + i)n. A taxa incide sobre o montante acumulado a cada período. O crescimento é exponencial.
- Aporte mensal em juros compostos: usa o FV de série uniforme — cada aporte feito no mês k rende juros nos meses k+1, k+2, … até o vencimento.
2. O efeito do tempo é o ingrediente mágico
Em prazos curtos (3 a 12 meses), a diferença entre os dois regimes é pequena em valor absoluto — costuma representar 1 a 5% do montante final. Mas a diferença cresce em "bola de neve": dobra de tamanho a cada cinco anos a 12% a.a., triplica em sete, e em vinte anos um capital aplicado a 12% a.a. vira cerca de 10x sob compostos contra apenas 3,4x sob simples.
3. Por que aportes constantes mudam tudo
O efeito da capitalização sozinha é grande; somar aportes mensais regulares ao regime composto cria a base do planejamento financeiro pessoal moderno. Investir R$ 500 por mês por 30 anos a 8% a.a. real produz cerca de R$ 745 mil em moeda constante — quase três vezes o total efetivamente aportado (R$ 180 mil). Esse é o raciocínio por trás da fórmula "pague-se primeiro" e da indústria de previdência privada (PGBL/VGBL).
4. Onde ainda se usa juros simples?
Hoje, juros simples sobrevivem em poucos contextos:
- Descontos comerciais de duplicatas e notas promissórias de curtíssimo prazo (menos de 30 dias).
- Multas e atualização monetária em alguns tributos federais e estaduais (juros Selic linear, sem capitalização interna).
- Mútuos entre particulares, em que vale a Súmula 121 do STF: não há capitalização sem previsão legal.
- Cálculos didáticos e exames de proficiência (vestibulares, concursos) — ainda que pouco realistas.
5. Como converter taxas entre períodos (corretamente)
Em juros compostos, a relação correta entre taxa mensal e anual é exponencial, não a divisão simples por 12. A fórmula é:
iam = (1 + iaa)1/12 − 1
Por exemplo: 14,75% a.a. equivale a 1,1530% a.m., não 1,229% (que seria a divisão por 12). Calcular errado pode causar diferenças de centenas a milhares de reais em prazos longos.
Base legal e regulatória
- Decreto 22.626/1933 (Lei da Usura) — vedação de juros superiores ao dobro da taxa legal.
- Lei 4.595/1964 — institui o Sistema Financeiro Nacional e autoriza operações com capitalização.
- MP 2.170-36/2001, art. 5° — permite capitalização em periodicidade inferior a um ano no SFN.
- Súmula 121 do STF — vedação de capitalização sem previsão legal (aplicável fora do SFN).
- Súmula 539 do STJ — capitalização inferior a um ano nos contratos bancários celebrados após 31/03/2000 é admitida, desde que expressamente pactuada.
- Lei 8.078/1990, art. 52 (CDC) — informação clara sobre juros, acréscimos e número de prestações.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre juros simples e juros compostos?
Em juros simples, os juros são sempre calculados sobre o capital original (C), independentemente do tempo: M = C × (1 + i·n). Em juros compostos, os juros de cada período são somados ao capital e passam a render juros nos períodos seguintes — é o famoso "juros sobre juros": M = C × (1 + i)n. Quanto maior o prazo, maior a diferença entre os dois regimes, fenômeno que Einstein teria chamado de "a maior invenção da humanidade".
Qual regime o mercado financeiro brasileiro usa?
Praticamente todas as operações do Sistema Financeiro Nacional (poupança, CDB, LCI, LCA, Tesouro Direto, financiamentos imobiliários, crédito consignado, cartão de crédito) usam juros compostos. A capitalização é autorizada pela Medida Provisória 2.170-36/2001 (art. 5°), com constitucionalidade confirmada pelo STF. Juros simples sobrevivem em alguns nichos: títulos de descontos comerciais de curtíssimo prazo, alguns parcelamentos sem juros do varejo e a Selic over (que é capitalizada diariamente, mas expressa em taxa anual linear).
A calculadora aceita aportes mensais?
Sim, no regime composto. Você pode informar um aporte mensal constante que será somado ao saldo no fim de cada mês e passará a render juros junto. A fórmula usada é a clássica do valor futuro de uma série uniforme: FV = PMT × [(1 + i)n − 1] ÷ i. No regime simples, os aportes não rendem juros — eles são apenas acumulados para fins de comparação visual.
Como converto uma taxa anual em mensal corretamente?
A conversão correta entre períodos em juros compostos é exponencial, não linear: iam = (1 + iaa)1/12 − 1. Por exemplo, uma taxa de 12% ao ano equivale a 0,9489% ao mês (não 1% ao mês, como diria a divisão simples). A calculadora faz essa conversão automaticamente quando você marca a taxa como anual. Esse é um dos erros mais comuns em planejamento financeiro pessoal.
Por que a diferença entre os dois regimes cresce tanto com o tempo?
Porque em juros compostos os juros do mês k rendem juros do mês k+1 em diante, criando um efeito multiplicativo. Em juros simples a taxa incide sempre sobre o capital original — então o crescimento é linear. Em compostos é exponencial. Em prazos curtos a diferença é pequena, mas a partir de 5-10 anos ela explode. Por isso o tempo é o fator mais importante em qualquer plano de investimento de longo prazo.
O que a calculadora considera "Taxa Efetiva Total"?
É o ganho acumulado, em porcentagem, sobre o capital original. Para juros simples a 1% a.m. por 60 meses, a taxa efetiva total é 60% (linear). Para juros compostos a 1% a.m. por 60 meses, é 81,67% (exponencial). Esse número é o quanto seu dinheiro cresceu no total — não a taxa anual, que é o ganho por ano. Confundir uma com a outra é uma fonte comum de erro em propagandas de investimento.
Esta calculadora considera inflação e impostos?
Não. Os resultados são nominais (valores absolutos sem ajuste pela inflação) e brutos (antes do Imposto de Renda). Para um cálculo real (poder de compra), desconte a inflação esperada do período via Fisher: ireal = (1 + inominal) ÷ (1 + π) − 1. Para o líquido após IR em renda fixa, use nossa Calculadora de Rendimento - Pessoa Física.
Posso usar essa calculadora para projetar minha aposentadoria?
Sim, é um ótimo ponto de partida. Use juros compostos, informe seu capital atual, sua expectativa de rentabilidade real (já descontada a inflação, ex.: 5% a.a. para uma carteira diversificada), o prazo em anos até a aposentadoria e o aporte mensal possível. O resultado mostra o patrimônio acumulado. Em seguida, divida o resultado por uma taxa segura de saque (entre 3-4% ao ano para preservação do principal) para estimar a renda mensal sustentável.